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<TITLE></TITLE>

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<BODY>
<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">
<P align="right"><b>ARTIGOS</b></P>

<P>&nbsp;</P>
<P align="center"><font size="4"><b>Uma equa&ccedil;&atilde;o proposta para fomentar a inova&ccedil;&atilde;o nas 
  
  organiza&ccedil;&otilde;es</b></font></P>
<P>&nbsp;</P>
<P align="center"><font size="3"><b>Propuesta de una ecuaci&oacute;n para el fomento de la 
  
  innovaci&oacute;n en las organizaciones</b></font></P>
<P>&nbsp;</P>
<P align="center"><font size="3"><B>Proposed equation for fostering innovation in organizations</B></font></P>
<P>&nbsp;</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><b>Fl&aacute;vio Bressan<SUP>a</SUP> </b></P>
<P><SUP>a</SUP>Profesor Investigador, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de 

Campinas, Brasil</P>
<P>&nbsp;</P>
<P>Autor para correspondencia: Av. Bar&atilde;o de Itapura, 1518, Guanabara - 

13020432, Campinas, SP, Brasil. 
Correo electr&oacute;nico: <A 

href="mailto:flavio.bressan@puc-campinas.edu.br">flavio.bressan@puc-campinas.edu.br</A></P>
<P>&nbsp;</P>
<P><I>Historial do artigo: <BR></I>Recebido a 30 de junio de 2011<BR>Aceite a 22 

de marzo de 2013</P>
<P>&nbsp;</P>
<hr size="1" noshade>
<P><B>RESUMO</B></P>

<P>Press&otilde;es da globaliza&ccedil;&atilde;o e da disponibilidade de 

tecnologia t&ecirc;m gerado discuss&otilde;es nos governos, academias e gabinetes dos 

executivos e CEOs em busca de melhor compreens&atilde;o dos fatores envolvidos no 

processo de inova&ccedil;&atilde;o. A&ccedil;&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o para incentivar a inova&ccedil;&atilde;o parecem 

n&atilde;o ser suficientes para obter que as pessoas inovem. Este trabalho, atrav&eacute;s de 

estudo qualitativo, endere&ccedil;a os fatores envolvidos em experi&ecirc;ncias de sucesso, 

para propor que os fatores componentes da equa&ccedil;&atilde;o para fomentar a inova&ccedil;&atilde;o - ambiente de neg&oacute;cios, organiza&ccedil;&atilde;o, ger&ecirc;ncia, complementadores, e o inovador e 

seu modelo mental -  est&atilde;o presentes e conclui que, para inovar, a organiza&ccedil;&atilde;o 

deve endere&ccedil;ar esses fatores, mapeando especialmente funcion&aacute;rios com modelo 

mental estrat&eacute;gico, prop&iacute;cio a assumir os desafios e riscos da 

inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P><B>Palavras-Chave: </B>Processo de inova&ccedil;&atilde;o, 
  Equa&ccedil;&atilde;o de fomento da inova&ccedil;&atilde;o, 
  Modelo mental estratégico, 
Desafios e riscos da inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>Classifica&ccedil;&atilde;o JEL: M10, M19</P>
<hr size="1" noshade>
<P><B>Resumen</B></P>

<P>Las presiones de la globalizaci&oacute;n y de la disponibilidad 

tecnol&oacute;gica han generado debates en los Gobiernos, en las instituciones 

acad&eacute;micas y en los despachos de ejecutivos y directores generales, en busca de 

una mejor comprensi&oacute;n de los factores que intervienen en el proceso de 

innovaci&oacute;n. Las acciones de la organizaci&oacute;n para fomentar la innovaci&oacute;n no 

parecen conseguir las innovaciones deseadas. Este trabajo, a trav&eacute;s de un 

estudio cualitativo, contempla los factores que intervienen en las experiencias 

de &eacute;xito, propone la existencia de los factores que componen la ecuaci&oacute;n para el 

fomento de la innovaci&oacute;n -el entorno empresarial, la organizaci&oacute;n, la gesti&oacute;n, 

los elementos complementarios y el innovador, y su modelo mental- , y concluye 

que, para innovar, la organizaci&oacute;n debe abordar estos factores principalmente 

con la identificaci&oacute;n de los empleados con un modelo mental estrat&eacute;gico propicio 

para enfrentarse a los retos y riesgos de la innovaci&oacute;n.</P>
<P> <b>Palabras clave: </b>Proceso de innovaci&oacute;n, 
  Ecuaci&oacute;n de fomento de la innovaci&oacute;n, 
  Modelo mental estrat&eacute;gico, 
  Retos y riesgos de la innovaci&oacute;n</P>
<P><i>Clasificaci&oacute;n JEL</i>: M10, M19</P>

<HR>





<P><b>ABSTRACT</b></P>

<P>The pressures of globalization and technological availability has generated 

debates in governments, academic institutions, and in the offices of executives 

and managing directors, in the search for a better understanding of the factors 

that affect the innovation process. The actions of organizations to boost 

innovation do not appear to achieve the desired results. This work, using a 

qualitative study, contemplates the factors that lead to successful experiences, 

and proposes the factors that form the equation to boost innovation - company 

environment, the organization, management, the complementary elements, and the 

innovator, and its mental model-, and concludes that, to innovate, the 

organization must first approach these factors, identifying the employees with a 

strategic mental model conducive to confront the challenges and risks of 

innovation. </P>



<P><b>Keywords</b><I>: </I>Innovation process Innovation-boosting equation Strategic 

mental model Innovation challenges and risks</P>
<P><I>JEL classification: M10, M19</I></P>
<HR size="1" noshade>






<P>&nbsp;</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></P>
<P>O tema inova&ccedil;&atilde;o, em fun&ccedil;&atilde;o de press&otilde;es crescentes do aumento da globaliza&ccedil;&atilde;o 

e da disponibilidade do acesso &agrave; tecnologia, tem tido presen&ccedil;a cada vez maior 

tanto nas discuss&otilde;es governamentais como nas acad&ecirc;micas e nos gabinetes dos 

executivos corporativos e dos CEOs. Devido ao aumento destas press&otilde;es e seu 

impacto na sobreviv&ecirc;ncia, crescimento e prosperidade das organiza&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deve 

causar surpresa o fato de que executivos, pesquisadores e escrit&oacute;rios 

governamentais de ci&ecirc;ncia e tecnologia busquem uma melhor compreens&atilde;o dos 

fatores envolvidos no processo de inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>Neste contexto, o objetivo deste trabalho &eacute; realizar um estudo comparativo 

entre casos de inova&ccedil;&atilde;o bem sucedidos, endere&ccedil;ando os fatores neles envolvidos 

para identificar os fatores comuns nestas experi&ecirc;ncias para, com base neles, 

fazer a proposta de uma equa&ccedil;&atilde;o para promover a inova&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es.</P>

<P>A justificativa para este trabalho encontra-se no fato de que a inova&ccedil;&atilde;o &eacute; 

decisiva e mandat&oacute;ria para as empresas competirem, serem bem sucedidas, 

sobreviverem e prosperarem no mercado global e de acirrada concorr&ecirc;ncia. Desta 

forma, conhecer os fatores que ajudam a empresa a promover a inova&ccedil;&atilde;o - a 

equa&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o - pode ser de grande valia para auxiliar as empresas a 

canalizarem seus esfor&ccedil;os direcionados &agrave; inova&ccedil;&atilde;o, necess&aacute;ria para a empresa 

desenvolver e manter vantagem competitiva.</P>

<P>A seguir &eacute; apresentado o marco te&oacute;rico onde se aborda os fatores que 

influenciam o processo de inova&ccedil;&atilde;o: o ambiente de neg&oacute;cios, a organiza&ccedil;&atilde;o e a 

ger&ecirc;ncia, o inovador e os complementadores. Apresenta o conceito de modelo 

mental e sua rela&ccedil;&atilde;o com o processo de inova&ccedil;&atilde;o. Em seguida apresenta a 

metodologia utilizada na pesquisa, as empresas pesquisadas e os resultados 

obtidos. Discute e analisa estes resultados e apresenta a conclus&atilde;o do trabalho, 

seguida das referencias bibliogr&aacute;ficas.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>2. Marco te&oacute;rico</B></font></P>

<P>O termo inova&ccedil;&atilde;o, como utilizado neste trabalho, assume as caracter&iacute;sticas da 

proposi&ccedil;&atilde;o da teoria Schumpeteriana, adotando seu sentido amplo - implanta&ccedil;&atilde;o de 

produto novo ou mudan&ccedil;a qualitativa em um produto existente com a qual os 

consumidores n&atilde;o estejam familiarizados, novos m&eacute;todos de trabalho e de 

comercializa&ccedil;&atilde;o, abertura de novos mercados, desenvolvimento de novas fontes de 

suprimento e novas mat&eacute;rias primas, e mudan&ccedil;as organizacionais (Schumpeter, 

1988; Amara, Landry e Doloreux, 2009) - que est&aacute; relacionado com a cria&ccedil;&atilde;o de 

competi&ccedil;&atilde;o entre o velho e o novo e com a agrega&ccedil;&atilde;o de valor aos neg&oacute;cios da 

empresa (Frangos, 2010).</P>

<P>A an&aacute;lise sobre os fatores organizacionais t&ecirc;m contribu&iacute;do significativamente 

com o estudo da inova&ccedil;&atilde;o e um exame da literatura indica a associa&ccedil;&atilde;o entre 

diversos fatores organizacionais como a cultura, a estrat&eacute;gia e sua disposi&ccedil;&atilde;o 

para inovar (Brazeal, Schenkel e Azriel, 2008), recursos, estrutura 

organizacional, suporte gerencial (Sawhney, Wolcott e Arroniz, 2006) e a 

disponibilidade de recursos e tempo, e o sucesso das iniciativas de inova&ccedil;&atilde;o 

(Srivastava e Agrawal, 2010; Ireland, Kuratko e Morris, 2006; Goodale, Kuratko, 

Hornsby e Covin, 2011). Dentre estes fatores, tem-se destacado a influ&ecirc;ncia do 

gerente no comportamento inovador dos empregados que, por meio de seu 

comportamento di&aacute;rio e a&ccedil;&otilde;es voltadas para estimular a inova&ccedil;&atilde;o, pode alavancar 

ou mesmo bloquear do processo de inova&ccedil;&atilde;o (Sawhney et al., 2006; Brazeal et al., 

2008).</P>

<P>Mas, incentivos organizacionais para a inova&ccedil;&atilde;o, a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos e a 

cria&ccedil;&atilde;o de cultura ou ambiente facilitador da inova&ccedil;&atilde;o podem n&atilde;o gerar os 

resultados desejados. Isto pode ser devido ao fato de que, como aponta a 

literatura, outros fatores podem estar associados ao sucesso das iniciativas de 

inova&ccedil;&atilde;o, como os relativos ao ambiente de neg&oacute;cios, como a economia, amea&ccedil;a, 

etc., e fatores pessoais do indiv&iacute;duo que empreende e inova, como sua 

compet&ecirc;ncia e motiva&ccedil;&atilde;o, sua capacidade para identificar oportunidades menos 

&oacute;bvias para outros, sua disposi&ccedil;&atilde;o para assumir riscos, fatores estes ligados ao 

seu modelo mental (Bressan e Toledo, 2011), que nem sempre s&atilde;o endere&ccedil;ados na 

busca de inova&ccedil;&atilde;o como vantagem competitiva.</P>

<P>Al&eacute;m disso, h&aacute; ainda um conjunto de fatores - os complementadores - que pode 

exercer um papel importante e mesmo decisivo no sucesso da inova&ccedil;&atilde;o e envolve 

tanto as pessoas da organiza&ccedil;&atilde;o que, ora se engajando, como no caso dos 

componentes da equipe, ora dando patroc&iacute;nio, apoio t&eacute;cnico e organizacional, ora 

fornecendo recursos, incentivo e orienta&ccedil;&atilde;o como gerentes de &aacute;reas clientes ou 

fornecedoras da unidade organizacional ou unidade de neg&oacute;cios onde o processo 

est&aacute; em curso, como pessoas e entidades externas como fornecedores, agencias de 

fomento e pesquisa, institui&ccedil;&otilde;es de ensino, etc.</P>

<P>Do exposto depreendem-se quatro categorias de fatores que influenciam o 

processo de inova&ccedil;&atilde;o: <I>1)</I> o ambiente de neg&oacute;cios, <I>2)</I> a organiza&ccedil;&atilde;o 

e a ger&ecirc;ncia, <I>3)</I> o inovador e <I>4)</I> os complementadores .</P>

<P><I>2.1. Ambiente de neg&oacute;cios</I></P>

<P>Toda organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; inserida em uma rede de influ&ecirc;ncias e relacionamentos 

denominada ambiente de neg&oacute;cios, composto por um conjunto de vari&aacute;veis externas 

e fora do controle da organiza&ccedil;&atilde;o e seus executivos, mas que exerce forte 

influ&ecirc;ncia sobre seus resultados. Este ambiente &eacute; constitu&iacute;do por vari&aacute;veis 

macro-ambientais -econ&ocirc;micas, s&oacute;cio-culturais, tecnol&oacute;gicas, educacionais, 

demogr&aacute;ficas e pol&iacute;tico-legais - que possuem uma influ&ecirc;ncia mais gen&eacute;rica sobre 

seus neg&oacute;cios e vari&aacute;veis de seu ambiente operacional o qual inclui as for&ccedil;as da 

ind&uacute;stria (Analoui e Karami, 2002) onde ela opera: rivalidade da ind&uacute;stria, 

clientes, fornecedores, produtos substitutos, novos entrantes e que possuem 

influ&ecirc;ncia mais direta nos resultados e rentabilidade da empresa (Miles e Snow, 

1989; Porter,1998).</P>

<P>Estas vari&aacute;veis, em constante mudan&ccedil;a, trazem incertezas e surpresas para as 

organiza&ccedil;&otilde;es que, em n&atilde;o tendo controle sobre elas, t&ecirc;m que responder-lhes por 

meio do desenvolvimento e implanta&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias (Parnell, Lester e Menefee, 

2000). Definir estrat&eacute;gias congruentes com o ambiente externo tem sido um 

importante desafio para muitos executivos e muitas pesquisas e estudos t&ecirc;m sido 

feitos para identificar as estrat&eacute;gias mais adequadas para o ambiente de neg&oacute;cio 

da empresa (Miles e Snow, 1989).</P>

<P>Todos estes fatores ambientais e as mudan&ccedil;as que provocam podem tornar 

produtos e servi&ccedil;os campe&otilde;es em obsoletos e exigir que a empresa, para continuar 

a sobreviver e prosperar, d&ecirc; respostas inovadoras, como no caso das mudan&ccedil;as 

trazidas pelo e-commerce (a cria&ccedil;&atilde;o da Amazon.com) e mudan&ccedil;as no perfil dos 

consumidores, como as trazidas pela telefonia celular e dos equipamentos 

relacionados (como o IPod da Apple).</P>

<P><I>2.2. A Organiza&ccedil;&atilde;o e a Ger&ecirc;ncia </I></P>

<P><I>2.2.1 A Organiza&ccedil;&atilde;o</I></P>

<P>Estrat&eacute;gias, entendidas como a formula&ccedil;&atilde;o de objetivos estrat&eacute;gicos, a ado&ccedil;&atilde;o 

de cursos de a&ccedil;&atilde;o e a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos para atingir estes objetivos, s&atilde;o 

respostas &agrave;s demandas do ambiente externo. Muitas pesquisas t&ecirc;m sido 

desenvolvidas para identificar as estruturas organizacionais e outros arranjos 

mais adequados para uma implanta&ccedil;&atilde;o eficaz das estrat&eacute;gias e, assim, identificar 

qual a forma de organiza&ccedil;&atilde;o que melhor responde aos desafios do ambiente de 

neg&oacute;cios. Organiza&ccedil;&atilde;o, em seu sentido amplo, corresponde n&atilde;o s&oacute; &agrave; sua estrutura, 

mas tamb&eacute;m, e principalmente, seus componentes como cultura e padr&otilde;es de 

comportamento, mecanismos de suporte, modelo de gest&atilde;o, sua tecnologia e 

processos, seus recursos e compet&ecirc;ncias que definem seu padr&atilde;o de respostas aos 

desafios, amea&ccedil;as e oportunidades do mutante ambiente de neg&oacute;cios.</P>

<P>As organiza&ccedil;&otilde;es, por meio de seus executivos, percebem o que elas querem 

perceber no ambiente de neg&oacute;cios (Miles e Snow, 2003) e respondem de forma 

proativa ao percebido por meio de padr&otilde;es relativamente consistentes de escolhas 

e decis&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrutura e processos organizacionais e comportamento 

estrat&eacute;gico (Gall&eacute;n, 2006). Esta consist&ecirc;ncia, observada no trabalho pioneiro de 

Miles e Snow (2003) sobre estrat&eacute;gia, estrutura e processos organizacionais, 

possibilitou a defini&ccedil;&atilde;o de uma tipologia que tem recebido suporte de um grande 

n&uacute;mero de estudos (e.g., Conant, Mokwa e Varadarajan 1990; Dvir, Segev e 

Shenhar, 1993; Hambrick e Mason, 1984) e permite avaliar a disposi&ccedil;&atilde;o da 

organiza&ccedil;&atilde;o para inovar.</P>

<P>Esta tipologia, modelo abrangente que descreve com riqueza as caracter&iacute;sticas 

e as configura&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas de cada tipo de organiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; constitu&iacute;da por 

tr&ecirc;s estrat&eacute;gias gen&eacute;ricas - defensora, prospectadora e analista - e uma 

residual, a estrat&eacute;gia reativa. Os prospectadores possuem um dom&iacute;nio bastante 

amplo do composto produto-mercado; eles s&atilde;o o ''primeiro no mercado''. Os 

defensores oferecem um conjunto permanente de produtos ou servi&ccedil;os e eles 

competem principalmente com base do valor e/ou custo. Os analistas t&ecirc;m 

caracter&iacute;sticas de ambos, defensores e prospectadores, e buscam como estrat&eacute;gia 

alternativa ser ''o segundo no mercado''. Os reativos apresentam escolhas 

empreendedoras, de engenharia e administrativas inconsistentes (Gall&eacute;n, 

2006).</P>

<P><I>2.2.2. A Ger&ecirc;ncia</I></P>

<P>Fomentar a inova&ccedil;&atilde;o requer a&ccedil;&atilde;o assertiva do gerente que, pela aplica&ccedil;&atilde;o de 

pol&iacute;ticas, sistemas e processos, de suas a&ccedil;&otilde;es, comportamentos e pr&aacute;ticas, pode 

tanto buscar e estimular as experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o de sucesso como 

desestimular e mesmo impedir que a inova&ccedil;&atilde;o tenha lugar (Alpkan, Bulut, Gunday, 

Ulusoy e Kilic, 2010). A literatura sobre a cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente prop&iacute;cio &agrave; 

inova&ccedil;&atilde;o enfatiza o papel e o comportamento gerenciais como fatores chaves para 

o sucesso nesta empreitada. Estes pap&eacute;is e comportamentos podem ser reunidos nos 

seguintes aspectos:</P>

<P><I>a)</I> Estimular, buscar e fomentar a inova&ccedil;&atilde;o: ao agir assim, um gerente 

torna expl&iacute;cito seu compromisso com a inova&ccedil;&atilde;o e isto ser&aacute; uma indica&ccedil;&atilde;o de sua 

coragem para apoiar e incentivar a inova&ccedil;&atilde;o e a experimenta&ccedil;&atilde;o de novas maneiras 

de se fazer as coisas (Shepherd e Krueger, 2002), e poder&aacute; impactar a motiva&ccedil;&atilde;o 

e o desejo das pessoas em se engajarem em projetos de inova&ccedil;&atilde;o (Brazeal et al., 

2008).</P>

<P>O apoio gerencial &eacute; indicador de sua disposi&ccedil;&atilde;o para facilitar, promover e 

institucionalizar o esp&iacute;rito de inova&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o, o que ir&aacute; estimular e 

encorajar o engajamento em atividades de inova&ccedil;&atilde;o (Hornsby, Kuratko, Shepherd e 

Bott, 2009). Se for esperado que os gerentes estimulem e fomentem a inova&ccedil;&atilde;o, 

ser&aacute; requerido que ap&oacute;iem e patrocinem os esfor&ccedil;os, criem oportunidades e 

encorajem as pessoas para que se sintam confort&aacute;veis em correr riscos com 

objetivos definidos, encorajando pensamentos, id&eacute;ias e experimenta&ccedil;&otilde;es 

inovadoras (Alpkan et al. 2010). Este apoio e suporte dever&atilde;o fornecer a 

necess&aacute;ria retaguarda na solu&ccedil;&atilde;o de problemas e de conflitos, de forma a 

proteger os inovadores de press&otilde;es organizacionais, em especial quando 

experimentam solu&ccedil;&otilde;es inovadoras e n&atilde;o s&atilde;o bem sucedidos, chamando para si a 

responsabilidade pelo ocorrido. Por outro lado, indica&ccedil;&otilde;es de avers&atilde;o ao risco 

dos gerentes ir&atilde;o reduzir o n&iacute;vel de confian&ccedil;a credibilidade, atenuando as 

atitudes, iniciativas e a&ccedil;&otilde;es inovadoras (Gupta, MacMillan e Surie, 2004)</P>

<P><I>b)</I> Disponibilizar tempo, informa&ccedil;&otilde;es, recursos e facilidades: 

disponibilizar tempo para se dedicarem ao desenvolvimento do projeto, 

possibilita &agrave;s pessoas se motivarem para trabalhar em temas de seu pr&oacute;prio 

interesse, nem sempre diretamente ligados &agrave;s suas atribui&ccedil;&otilde;es rotineiras. 

Ademais, as pessoas devem ter o acesso facilitado aos recursos, informa&ccedil;&otilde;es e 

facilidades; estes recursos n&atilde;o precisam estar totalmente dispon&iacute;veis, mas as 

elas precisam ter assegurados meios para acess&aacute;-los, pois, muitas vezes, ser&atilde;o 

necess&aacute;rios recursos e informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o estar&atilde;o dispon&iacute;veis na &aacute;rea sob a 

responsabilidade do gerente, mas que ser&atilde;o obtidos e emprestados em outras &aacute;reas 

fora das fronteiras do seu local de trabalho e/ou para al&eacute;m das fronteiras e 

controles burocr&aacute;ticas da organiza&ccedil;&atilde;o (Brazeal et al., 2008) e por meio da 

obten&ccedil;&atilde;o da colabora&ccedil;&atilde;o informal de outras pessoas.</P>

<P><I>c)</I> Delegar autoridade e propiciar autonomia: o crescimento da 

organiza&ccedil;&atilde;o gera normas e procedimentos que tendem a criar limites para as 

pessoas que perdem a chance de experimentar suas id&eacute;ias e inova&ccedil;&otilde;es. Se nada for 

feito, as novas id&eacute;ias e projetos ter&atilde;o que fazer um &aacute;rduo caminho pela 

hierarquia para aprova&ccedil;&atilde;o e, ao subirem, poder&atilde;o ser retidos em qualquer ponto. 

Se retidos, as pessoas logo perceber&atilde;o que o discurso de inova&ccedil;&atilde;o, criatividade 

e desafio &eacute; apenas discurso da empresa, e que, na pr&aacute;tica, a ger&ecirc;ncia quer mesmo 

&eacute; que as coisas continuem como s&atilde;o ou <I>the same old way</I>, e esta rigidez e 

in&eacute;rcia organizacionais ir&atilde;o prejudicar as iniciativas inovadoras (Gurkov, 

2005). Nenhum desafio &eacute; leg&iacute;timo se a pessoa n&atilde;o possuir a autoridade e 

autonomia para lev&aacute;-lo a cabo. Sem a autoridade para agir e colocar recursos em 

a&ccedil;&atilde;o, ningu&eacute;m pode ser cobrado. Para que as pessoas contribuam com inova&ccedil;&otilde;es e 

criatividade, a empresa deve criar condi&ccedil;&otilde;es para que possam n&atilde;o s&oacute; ter id&eacute;ias, 

mas, em tendo-as, elas tenham a autoridade para implant&aacute;-las, o que, implica em 

correr riscos e os riscos est&atilde;o na ess&ecirc;ncia dos neg&oacute;cios.</P>

<P><I>d)</I> Gerenciar o desempenho e recompensar iniciativas, comportamentos e 

resultados: estes fatores s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias, mas parecem n&atilde;o ser 

suficientes para criar um ambiente favor&aacute;vel para que as pessoas mantenham seu 

&iacute;mpeto natural para inovar. Ao agir para instilar motiva&ccedil;&atilde;o para obter que as 

pessoas ajam como inovadores, o gerente dever&aacute; possuir ou dispor de um sistema 

de desempenho e de recompensas pertinentes. O sistema de desempenho deve prever 

a defini&ccedil;&atilde;o e o cumprimento de metas acordadas, propiciar oportunidade para as 

pessoas se desenvolverem e se capacitarem para agir por conta pr&oacute;pria, ou seja, 

para terem autonomia e liberdade para fazerem o seu trabalho &agrave; sua maneira, o 

que significa fazer com que se tornem ''donas ou gerentes de seus processos'', 

pois somente quando se tornam donas de seus processos &eacute; que elas se tornam 

criativas e inovadoras. Este sistema deve tamb&eacute;m estimular, fomentar e avaliar 

as iniciativas de mudan&ccedil;a e inova&ccedil;&atilde;o. Em isto n&atilde;o ocorrendo, inovar poder&aacute; 

significar correr o risco desnecess&aacute;rio de n&atilde;o obter os resultados e fracassar e 

ter uma avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho desfavor&aacute;vel, o que ter&aacute; impacto nas suas 

chances de recompensa e carreira.</P>

<P>O sistema de sistema de recompensas deve ser adequado para refor&ccedil;ar 

iniciativas de inova&ccedil;&atilde;o e, al&eacute;m de recompensar o desempenho desejado, tamb&eacute;m 

recompense as iniciativas para mudar e inovar, mesmo quando n&atilde;o produzirem os 

resultados esperados. Um sistema de recompensas confi&aacute;vel contempla tamb&eacute;m 

oportunidades inovadoras para recompensar as iniciativas das pessoas, tanto no 

caso de sucesso como de fracasso e, em caso de fracasso, o m&iacute;nimo que a empresa 

pode fazer &eacute; reconhecer o esfor&ccedil;o, a coragem e o empenho e criar novo desafio, 

apostar e apoiar de novo o inovador e ajud&aacute;-lo a aprender com o ocorrido. De 

qualquer forma, conhecer os inovadores e o que &eacute; significativo para eles &eacute;, sem 

d&uacute;vida, a porta de entrada para um sistema de recompensas efetivo.</P>

<P>A credibilidade dos sistemas de desempenho e recompensa &eacute; crucial, pois se os 

empregados atribu&iacute;rem elevada credibilidade aos sistemas, acreditando que o 

sucesso da empresa gerar&aacute; benef&iacute;cio compartilhado para todos, tanto o 

comprometimento com a inova&ccedil;&atilde;o como a disposi&ccedil;&atilde;o para assumir riscos com 

objetivos definidos associados &agrave; inova&ccedil;&atilde;o tender&atilde;o a ser elevados (Alpkan et al, 

2010).</P>

<P><I>2.3. O Inovador</I></P>

<P>Todos estes fatores internos - suporte, estrutura, recursos, incentivos para 

fomentar a inova&ccedil;&atilde;o, etc. - podem propiciar um ambiente interno e uma cultura 

facilitadores da inova&ccedil;&atilde;o e seu sucesso (Sawhney et al., 2006). Contudo, para 

que a inova&ccedil;&atilde;o ocorra &eacute; preciso que algu&eacute;m, em percebendo uma oportunidade, se 

coloque em marcha torn&aacute;-la realidade. Esta pessoa &eacute; o inovador. Para se 

compreend&ecirc;-lo, al&eacute;m dos fatores relacionados com a iniciativa para inovar, &eacute; 

preciso fazer refer&ecirc;ncia &agrave; sua experi&ecirc;ncia e ao seu desempenho, seu n&iacute;vel de 

compet&ecirc;ncia, suas atitudes e sua aplica&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso fazer 

refer&ecirc;ncia ao seu modelo mental, respons&aacute;vel pela sua percep&ccedil;&atilde;o de 

oportunidades, pelo grau de autonomia que requer e pela sua disposi&ccedil;&atilde;o para 

correr riscos assim que identifica oportunidades (Campbell, 1992; Shane e 

Venkataraman, 2000).</P>

<P>Em rela&ccedil;&atilde;o ao desempenho, a literatura tem apontado que, para desempenhar uma 

determinada fun&ccedil;&atilde;o, uma pessoa necessita possuir conhecimento, habilidade e 

atitude (CHA). O CHA endere&ccedil;a apenas parte dos fatores que determinam o 

desempenho de uma pessoa, pois n&atilde;o garante a capacidade de agir de modo 

empreendedor, o que seria assegurado pela auto-efic&aacute;cia (Bandura, 1986), 

derivada de dois outros fatores componentes da fun&ccedil;&atilde;o que determina o desempenho 

do inovador: a motiva&ccedil;&atilde;o e a autoconfian&ccedil;a, necess&aacute;rios para uma a&ccedil;&atilde;o inovadora 

e aut&ocirc;noma.</P>

<P>Como a inova&ccedil;&atilde;o geralmente rompe com o <I>status quo</I> (conflito entre o 

velho e o novo de Schumpeter, 1988) ela requer que o inovador pense em 

possibilidades e arquitete solu&ccedil;&otilde;es disruptivas, tenha a coragem de assumir 

riscos ao identificar ocasi&otilde;es e oportunidades menos obvias para outros 

(Campbell 1992; Shane e Venkataraman 2000). Estas caracter&iacute;sticas t&ecirc;m sido 

associadas ao modo como percebe e utiliza as informa&ccedil;&otilde;es, ou seja, ao seu modelo 

mental. Modelos mentais s&atilde;o construtos te&oacute;ricos desenvolvidos para auxiliar na 

compreens&atilde;o, descri&ccedil;&atilde;o e explica&ccedil;&atilde;o da maneira pela qual se percebe e processa 

informa&ccedil;&otilde;es e as utiliza para a tomada de decis&atilde;o. Considerados padr&otilde;es 

constantes cujo acionamento pelo individuo &eacute; autom&aacute;tico em resposta a 

informa&ccedil;&otilde;es e situa&ccedil;&otilde;es, os modelos mentais objetivam descrever o modo padr&atilde;o de 

funcionamento da atividade intelectual de uma pessoa e &eacute; resultante da 

combina&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de percep&ccedil;&atilde;o com o modelo de organiza&ccedil;&atilde;o e uso do conte&uacute;do 

e com o modo como toma decis&atilde;o (Jung, 1991; Silva, 1992; Keirsey e Bates, 1978; 

Bressan e Toledo, 2011). Diferentes modelos mentais conduzem a diferentes 

padr&otilde;es de percep&ccedil;&atilde;o de oportunidades para inova&ccedil;&atilde;o, a diferentes padr&otilde;es de 

resposta diante de problemas (solu&ccedil;&otilde;es de melhoria ou disruptivas), e diferentes 

disposi&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos riscos de inovar e empreender (Gall&eacute;n, 2006).</P>

<P>A constata&ccedil;&atilde;o de que algumas pessoas est&atilde;o interessadas apenas em ''o que &eacute;'' 

numa refer&ecirc;ncia ao 'aqui e agora' enquanto outras est&atilde;o mais predispostas a 

aceitar id&eacute;ias in&eacute;ditas sobre ''o que pode ser'' numa refer&ecirc;ncia a possibilidades 

&eacute; recorrente na literatura (Hambrick e Mason, 1984) e remete &agrave; abordagem dos 

temperamentos (Keirsey e Bates, 1978) que, inferidos a partir da observa&ccedil;&atilde;o de 

padr&otilde;es de comportamentos manifestos ou grupos de comportamentos, descrevem 

diferen&ccedil;as entre pessoas e apresentam caracter&iacute;sticas e padr&otilde;es consistentes em 

diferentes culturas e per&iacute;odos de vida.</P>

<P>Os temperamentos s&atilde;o &uacute;teis, pois ajudam a compreender as caracter&iacute;sticas das 

pessoas e a fazer previs&otilde;es consistentes sobre as prefer&ecirc;ncias e comportamentos, 

sobre como aprendem e ensinam, como se relacionam e gerenciam (Silva, 1992; 

Kroeger e Thuessen, 1992) e por decorr&ecirc;ncia, sobre os modelos mentais. As 

diferen&ccedil;as na forma de percep&ccedil;&atilde;o - concreta ou global - s&atilde;o as primeiras 

consideradas pelo fato de que, como a percep&ccedil;&atilde;o &eacute; o modo como as pessoas coletam 

informa&ccedil;&otilde;es sobre o mundo, o que &eacute; percebido influencia as outras fun&ccedil;&otilde;es. Sem 

alguma compreens&atilde;o sobre como as pessoas percebem seria dif&iacute;cil compreender o 

modelo mental, as decis&otilde;es e o comportamento das pessoas diante de um problema 

ou situa&ccedil;&atilde;o, pois elas sempre acreditam em seus dados e informa&ccedil;&otilde;es.</P>

<P>Assim, uma pessoa que tem prefer&ecirc;ncia por um modelo de percep&ccedil;&atilde;o concreta se 

caracteriza pela coleta de informa&ccedil;&otilde;es fatuais e concretas e a sua segunda 

prefer&ecirc;ncia referir-se-&aacute; ao que far&aacute; com as informa&ccedil;&otilde;es percebidas: se vai 

organiz&aacute;-las para um uso de forma planejada ou se vai continuar a buscar 

informa&ccedil;&otilde;es para uso na solu&ccedil;&atilde;o de problemas emergentes. Se uma pessoa apresenta 

prefer&ecirc;ncia pelo modelo de percep&ccedil;&atilde;o global, sua percep&ccedil;&atilde;o ir&aacute; se caracterizar 

pela coleta de dados abstratos e conceituais e a sua segunda prefer&ecirc;ncia ser&aacute; 

por organizar estas informa&ccedil;&otilde;es para a formula&ccedil;&atilde;o de possibilidades e para a 

tomada de decis&atilde;o, que poder&aacute; ser realizada com base na l&oacute;gica ou de modo 

racional ou de modo a considerar os valores, e interesses das pessoas.</P>

<P>Considerando-se a proposi&ccedil;&atilde;o de que a percep&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e uso da 

informa&ccedil;&atilde;o caracterizam o modelo mental e traduzindo o interesse em ''o que &eacute;'' 

como foco no aqui e agora e o interesse em ''o que pode ser'' como ''possibilidade'' 

(Hambrick, Geletkanycz e Fredrickson, 1993) &eacute; poss&iacute;vel, como s&iacute;ntese, definir 

dois modelos mentais: modelo mental operacional e modelo mental estrat&eacute;gico:</P>

<P><I>1)</I> Modelo Mental Operacional: prefer&ecirc;ncia por trabalhar com fatos 

conhecidos mais do que buscar novas possibilidades e rela&ccedil;&otilde;es. Esta pessoa 

demonstra maior confian&ccedil;a nas experi&ecirc;ncias do que na teoria, mais seguran&ccedil;a no 

modo costumeiro de fazer as coisas e uma prefer&ecirc;ncia por come&ccedil;ar com aquilo que 

&eacute; real e conhecido para ligar cada nova experi&ecirc;ncia &agrave;s antigas, testando-as pela 

sua relev&acirc;ncia para a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica. Privilegia reduzir a ocorr&ecirc;ncia de 

problemas pela maximiza&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia e pela melhoria, dentro das condi&ccedil;&otilde;es 

existentes. Trabalha passo a passo, processando cada informa&ccedil;&atilde;o em separado e 

relacionando-as concretamente. N&atilde;o aprecia problemas novos exceto quando a 

solu&ccedil;&atilde;o for padr&atilde;o. Gosta de m&eacute;todos estabelecidos para fazer as coisas; 

raramente desafia as normas e pol&iacute;ticas estabelecidas a n&atilde;o ser que recebam 

forte e explicito apoio de seus superiores.</P>

<P><I>2)</I> Modelo Mental Estrat&eacute;gico: demonstra baixa ader&ecirc;ncia a normas; &eacute; 

capaz de pensamento tangencial e de uma abordagem inovadora para tarefas e 

disruptiva na solu&ccedil;&atilde;o de problemas. Gosta de identificar problemas complexos e 

encontrar solu&ccedil;&otilde;es in&eacute;ditas. Focado nas possibilidades futuras, tende a ser 

vision&aacute;rio, com habilidade para estabelecer o que &eacute; necess&aacute;rio para maior 

efetividade no futuro e a assumir o controle em situa&ccedil;&otilde;es com baixa 

estrutura&ccedil;&atilde;o. Possui a habilidade de coletar e processar, a um s&oacute; tempo, grande 

volume de informa&ccedil;&otilde;es e extrair dele o que &eacute; realmente importante &eacute; relevante. 

Capaz de verdadeira criatividade, esta pessoa &eacute; h&aacute;bil em criar algo sem muitos 

dados tang&iacute;veis. Seu baixo apego a regras e conven&ccedil;&otilde;es cria maior disposi&ccedil;&atilde;o 

para experimentar novas id&eacute;ias mesmo diante de contradi&ccedil;&otilde;es, restri&ccedil;&otilde;es e amea&ccedil;a 

de perdas, e, por isso, &eacute; mais disposto a correr riscos.</P>

<P>Da&iacute; pode-se depreender que, conhecendo-se o modelo mental, pode-se assumir 

que diferentes pessoas com diferentes modelos mentais adotar&atilde;o abordagens 

diferentes em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P><I>2.4. Complementadores</I></P>

<P>Levar adiante o projeto pode requerer compet&ecirc;ncias, informa&ccedil;&otilde;es e recursos 

que o inovador n&atilde;o possui e nem tem condi&ccedil;&otilde;es de obt&ecirc;los sozinho. Para isto, um 

recurso valioso que o inovador precisa e talvez o menos intang&iacute;vel, refere-se ao 

apoio e a retaguarda de algu&eacute;m na ger&ecirc;ncia da empresa: os inovadores necessitam 

de patrocinadores, ou seja, pessoas na organiza&ccedil;&atilde;o ou fora dela com uma posi&ccedil;&atilde;o 

de poder e influ&ecirc;ncia que, em comprando a id&eacute;ia e/ou o projeto, deseja e decide 

apostar no inovador e suas id&eacute;ias.</P>

<P>Muitas vezes, o inovador, por n&atilde;o ter acesso a compet&ecirc;ncias, informa&ccedil;&otilde;es e 

recursos necess&aacute;rios ao desenvolvimento do projeto de inova&ccedil;&atilde;o e nem condi&ccedil;&otilde;es 

de obt&ecirc;-los sozinho, precise expandir sua compet&ecirc;ncia por meio de 

complementadores internos que ampliem e enrique&ccedil;am o que ele pode realizar 

sozinho (Hax, 2010). Al&eacute;m disso, pode ser necess&aacute;rio contar com complementadores 

externos, como clientes, fornecedores, ag&ecirc;ncias de fomento e de pesquisa que, 

pela sua posi&ccedil;&atilde;o de poder e influ&ecirc;ncia, em comprando o projeto, desejem e 

decidam apostar no inovador e em suas id&eacute;ias de inova&ccedil;&atilde;o. Mas, como projetos de 

inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nascem do nada, os complementadores podem ajudar na obten&ccedil;&atilde;o de 

aprova&ccedil;&atilde;o e acesso aos recursos. Em muitos casos, em seu in&iacute;cio, quando o 

projeto era apenas uma possibilidade e havia incerteza e d&uacute;vidas sobre se ele 

valeria ou n&atilde;o a pena, algu&eacute;m estava l&aacute; para defend&ecirc;-lo ou proteg&ecirc;-lo; algu&eacute;m 

precisou acreditar, ter confian&ccedil;a e correr o risco. Quando foi necess&aacute;rio ter 

paci&ecirc;ncia, dar explica&ccedil;&otilde;es, preservar e compreender que os obst&aacute;culos e 

contratempos eram ocasionais e n&atilde;o requeriam abortar o projeto, algu&eacute;m se fez 

presente e sua a&ccedil;&atilde;o, apoio e retaguarda foram decisivos para ir em frente e 

obter sucesso.</P>

<P>Considerando-se que todos estes fatores est&atilde;o presentes e exercem influ&ecirc;ncia 

no fomento e est&iacute;mulo &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e no pr&oacute;prio processo de inova&ccedil;&atilde;o, que 

dependendo das circunst&acirc;ncias, possuem diferentes graus de relev&acirc;ncia e 

influ&ecirc;ncia, e que todos precisam ser acionados, decidiu-se empregar o termo 

Equa&ccedil;&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o para representar a fun&ccedil;&atilde;o e o enfoque que o conjunto de 

fatores - e cada um deles - deve ter na cria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias e 

suficientes para fomentar e estimular a obten&ccedil;&atilde;o ocorr&ecirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o nas 

empresas.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>3. Metodologia</B></font></P>

<P>Este estudo qualitativo teve como objetivo examinar, por meio de entrevistas 

em profundidade, experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o consideradas benchmarking e as 

considera&ccedil;&otilde;es dos que as promoveram para identificar os fatores e pr&aacute;ticas 

envolvidos nestas experi&ecirc;ncias e a contribui&ccedil;&atilde;o deles para o sucesso obtido. 

Buscou-se verificar como os fatores e pr&aacute;ticas envolvidos nelas se relacionam e 

influenciam as experi&ecirc;ncias bem sucedidas de inova&ccedil;&atilde;o. Para isto, examinaram-se 

experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o ocorridas em seis empresas dos ramos qu&iacute;mico, 

metal&uacute;rgico, eletr&ocirc;nico e de autope&ccedil;as.</P>

<P>Para identificar empresas cujas experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o tivessem produzido 

diferencial nos neg&oacute;cios e impactos significativos nos resultados da empresa, 

buscou-se identificar executivos e pessoas que pudessem n&atilde;o s&oacute; descrever a 

hist&oacute;ria, mas fornecer informa&ccedil;&otilde;es e <I>insights</I> relevantes a respeito da 

organiza&ccedil;&atilde;o e suas pr&aacute;ticas inovadoras. Para identificar estas pessoas foi 

utilizada a abordagem n&atilde;o probabil&iacute;stica denominada amostragem 'bola de neve' - 

<I>snow ball</I> -usada quando se solicita recomenda&ccedil;&otilde;es de outros sobre pessoas 

que possuam experi&ecirc;ncias e sacadas <I>(insights) </I>no tema pesquisado. 

(Frangos, 2010). Para isso, foram consultados executivos de uma associa&ccedil;&atilde;o de 

Recursos Humanos de quem se solicitou indica&ccedil;&otilde;es de pessoas que tivessem 

experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o pertinentes ao estudo. Esta abordagem, usada para 

identificar tanto pessoas com informa&ccedil;&otilde;es ricas sobre o tema quanto incidentes 

cr&iacute;ticos de interesse, resultou em v&aacute;rias indica&ccedil;&otilde;es e, depois de entrevista 

inicial com os mais de uma dezena de indicados e, em fun&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e 

insights, seis delas foram consideradas relevantes para o estudo.</P>

<P>O enquadramento explorat&oacute;rio das empresas na tipologia proposta por Miles e 

Snow (2003) foi feito por meio de quest&otilde;es adaptadas do question&aacute;rio utilizado 

por Blumentritt e Danis (2006) e para a obten&ccedil;&atilde;o de dados sobre o modelo mental 

dos entrevistados usou-se a metodologia denominada <I>The Art of Speed Reading 

People</I> (Tieger e Tieger, 1998) que possibilita obter dados sobre o modelo 

mental durante a entrevista. A an&aacute;lise dos dados, ap&oacute;s a an&aacute;lise preliminar, foi 

feita com base em cinco fatores c&oacute;digo de classifica&ccedil;&atilde;o: ambiente de neg&oacute;cios, 

organiza&ccedil;&atilde;o, ger&ecirc;ncia, complementadores e inovador.</P>

<P><I>3.1. As empresas e os entrevistados</I></P>

<P>Os relatos referiram-se a experi&ecirc;ncias onde os entrevistados tiveram a 

oportunidade de obter saltos qualitativos ou quantitativos nos resultados, os 

quais excederam as expectativas inicias em termos de produtividade, 

rentabilidade, custos, redu&ccedil;&atilde;o de tempos, perdas de processos e que tiveram 

impacto bastante relevante nos neg&oacute;cios das empresas, de acordo com o 

especificado no projeto da pesquisa. O <a href="/img/revistas/eg/v29n126/v29n126a05v1.jpg" target="_blank">quadro 1</a> sintetiza os dados das empresas 

e dos entrevistados.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>4. Resultados obtidos</B></font></P>

<P>Os resultados obtidos indicam que estes fatores exercem fun&ccedil;&otilde;es diferentes, 

relevantes e importantes no processo de fomento e est&iacute;mulo da inova&ccedil;&atilde;o e que 

todos possuem um papel no processo de inova&ccedil;&atilde;o que ora &eacute; mais decisivo e ora 

menos. Da&iacute; o emprego do termo 'Equa&ccedil;&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o' para designar o conjunto de 

fun&ccedil;&otilde;es que cada um dos fatores, separados ou em conjunto, t&ecirc;m no processo de 

fomentar a inova&ccedil;&atilde;o e de propiciar &agrave; empresa condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de 

produtos, processos e sistemas organizacionais e de gest&atilde;o que possibilitem um 

atendimento das necessidades e desejos dos clientes e dos objetivos operacionais 

e estrat&eacute;gicos da empresa. A seguir s&atilde;o apresentados os resultados da an&aacute;lise 

dos dados coletados de acordo com os fatores identificados: ambiente de 

neg&oacute;cios, a organiza&ccedil;&atilde;o, suas caracter&iacute;sticas e seus processos, os 

complementadores e o inovador.</P>

<P><I>4.1. Ambiente de neg&oacute;cios</I></P>

<P>Muitos s&atilde;o os aspectos que determinam e mesmo precipitam o desafio e a 

oportunidade para a inova&ccedil;&atilde;o. De acordo com os relatos, o ambiente de neg&oacute;cios 

exerce forte influ&ecirc;ncia nos neg&oacute;cios da empresa e pode gerar as press&otilde;es 

necess&aacute;rias para colocar o processo de inova&ccedil;&atilde;o em marcha. Na empresa D, que 

opera especificamente no mercado governamental, as vari&aacute;veis pol&iacute;tico-econ&ocirc;micas 

que regem as decis&otilde;es governamentais influenciaram diretamente na gera&ccedil;&atilde;o da 

oportunidade. A opera&ccedil;&atilde;o para atender a este mercado &eacute; marcada por um modelo de 

estrat&eacute;gia defensora, onde a empresa det&eacute;m um estreito dom&iacute;nio da tecnologia e o 

atendimento dos clientes se d&aacute; por meio de produtos que atendem aos requisitos 

de cada um e, quando h&aacute; encomendas, a rentabilidade &eacute; garantida. O processo de 

produ&ccedil;&atilde;o &eacute; acompanhado <I>on time</I> pelos clientes que exercem controle da 

qualidade para assegurar os padr&otilde;es de qualidade especificados nos projetos.</P>

<P>Para atender aos planos governamentais e a demanda prevista para o setor, 

esta empresa realizou elevados investimentos em infra-estrutura e tecnologia. 

Mudan&ccedil;as macro econ&ocirc;micas fizeram a demanda prevista n&atilde;o ocorrer e a empresa, 

para otimizar o uso da tecnologia e sua infra-estrutura, decidiu diversificar e 

desenvolveu produto similar para o mercado B2B, com caracter&iacute;sticas opostas ao 

mercado B2G, no qual n&atilde;o possu&iacute;a <I>expertise</I>. Ent&atilde;o de acordo com o 

entrevistado da empresa D, ''a oportunidade de inova&ccedil;&atilde;o ou de recriar o neg&oacute;cio 

surgiu porque a empresa, em mantendo o mesmo padr&atilde;o de opera&ccedil;&atilde;o, processos e 

controles - <I>the old way</I> - eficientes para a opera&ccedil;&atilde;o no mercado B2G, n&atilde;o 

conseguiria viabilizar o novo neg&oacute;cio'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, outubro de 

2010).</P>

<P>Outro fator ambiental disparador do desafio e oportunidade para a inova&ccedil;&atilde;o 

est&aacute; relacionado com a estrutura da ind&uacute;stria (Porter, 1998), o que pode ser 

evidenciado no relato do entrevistado da empresa E. Esta empresa, caracterizada 

como prospectadora em virtude de operar em um mercado onde a tecnologia e as 

necessidades dos clientes obrigavam-na a manter uma equipe altamente 

especializada para cuidar da pesquisa e desenvolvimento, viu-se na necessidade 

de se reinventar em fun&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o agressiva de seu maior concorrente 

internacional. Nas palavras do entrevistado (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, dezembro de 

2010):</P>

<P>''Nossa margem l&iacute;quida estava em torno de 14% e nosso concorrente 

internacional, que investia em pesquisa e desenvolvimento o equivalente ao nosso 

faturamento de quatro anos, passou a ofertar o produto com um desconto de 20% 

sobre o nosso pre&ccedil;o de venda. Diante disso, t&iacute;nhamos duas alternativas: ou 

encerrar as atividades ou, como decidimos, refazer completamente nosso neg&oacute;cio, 

abandonando pr&aacute;ticas que at&eacute; ent&atilde;o tinham sido eficazes e implementando pr&aacute;ticas 

que eram disruptivas em rela&ccedil;&atilde;o a elas e com as quais n&atilde;o t&iacute;nhamos experi&ecirc;ncia'' 

(sic).</P>

<P>Outro fator do ambiente de neg&oacute;cios foi a <I>holding</I> que decidiu apostar 

e de destinar os recursos para o projeto, pois a manuten&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o neste 

neg&oacute;cio era de interesse estrat&eacute;gico, uma vez que criava visibilidade para a 

<I>holding</I> no cen&aacute;rio nacional e alavancava neg&oacute;cios em outros &aacute;reas.</P>

<P><I>4.2. A Organiza&ccedil;&atilde;o</I></P>

<P>As respostas &agrave;s demandas do ambiente externo se materializam em estrat&eacute;gias, 

entendidas como a formula&ccedil;&atilde;o de objetivos estrat&eacute;gicos, a ado&ccedil;&atilde;o de cursos de 

a&ccedil;&atilde;o e a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos para atingir estes objetivos. Muitas pesquisas t&ecirc;m 

sido desenvolvidas para identificar as estruturas organizacionais e outros 

arranjos mais adequados para uma implanta&ccedil;&atilde;o eficaz das estrat&eacute;gias escolhidas. 

Dito de outra forma, estas pesquisas buscam identificar qual a forma de 

organiza&ccedil;&atilde;o que melhor responde aos desafios do ambiente de neg&oacute;cios.</P>

<P>Como o <a href="/img/revistas/eg/v29n126/v29n126a05v1.jpg" target="_blank">quadro 1</a> mostra, a partir dos relatos, as organiza&ccedil;&otilde;es puderam ser 

classificadas dentro da tipologia de Miles e Snow (2003) por apresentarem 

padr&otilde;es de resposta consistentes ao seu ambiente de neg&oacute;cios. De modo geral, 

todas possu&iacute;am neg&oacute;cios nos quais o padr&atilde;o de resposta poderia ser classificado 

como defensor, por&eacute;m tr&ecirc;s delas, em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas do ambiente de 

neg&oacute;cios, apesar possuir alguns neg&oacute;cios est&aacute;veis, os mais importantes operavam 

num ambiente altamente tecnol&oacute;gico e num mercado din&acirc;mico, exigindo delas uma 

posi&ccedil;&atilde;o mais assertiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o que tornou mais pertinente sua 

classifica&ccedil;&atilde;o como prospectadoras.</P>

<P>Estas empresas prospectadoras tiveram uma disposi&ccedil;&atilde;o mais evidente para 

iniciar o processo de inova&ccedil;&atilde;o e as classificadas como defensoras tiveram maior 

dificuldade e, por causa disso, sofreram amea&ccedil;a mais forte do ambiente de 

neg&oacute;cios. Uma ilustra&ccedil;&atilde;o disto pode ser depreendida do depoimento do 

entrevistado da empresa B, quando disse que</P>

<P>''as coisas aqui s&oacute; come&ccedil;aram a mudar quando a matriz mandou um CEO com poder 

para fazer o que fosse necess&aacute;rio para mudar a cultura conservadora, 

hierarquizada e formalizada onde valia o cl&aacute;ssico manda quem pode e obedece quem 

tem ju&iacute;zo''. (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, fevereiro de 2011).</P>

<P>O objetivo foi mudar e estabelecer uma cultura e um clima organizacionais que 

despertassem a ''paix&atilde;o pelo trabalho e criasse um ambiente no qual todos 

sentissem a empresa como sua segunda casa e com esp&iacute;rito empreendedor, 

comportando-se como dono de sua atividade e de seus resultados'' (Comunica&ccedil;&atilde;o 

pessoal, fevereiro de 2011). No in&iacute;cio houve resist&ecirc;ncia, mas a decis&atilde;o, a 

autoridade e as a&ccedil;&otilde;es do CEO, suportadas por um programa de desenvolvimento e 

por um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o interno, deram suporte e apoio aos gestores e 

impulsionaram a mudan&ccedil;a. A consolida&ccedil;&atilde;o se deu quando da crise mundial, que 

afetou profundamente seus neg&oacute;cios e requereu da empresa um ajuste nos neg&oacute;cios 

e no quadro de pessoal, ela obteve avalia&ccedil;&atilde;o de excel&ecirc;ncia medida pela 

metodologia <I>Great Place to Work</I> (Leverin, 1997).</P>

<P>No caso da empresa C, como defensora, foi um programa institucional 

implantado pela matriz que gerou a oportunidade e criou as condi&ccedil;&otilde;es 

organizacionais para o projeto e para que a equipe envolvida nele pudesse dispor 

de flexibilidade e de acesso para al&eacute;m das fronteiras da &aacute;rea para interagir com 

fornecedores internos e externos e com os clientes internos no sentido de se 

implantar mudan&ccedil;as que resultaram em redu&ccedil;&atilde;o de perdas de processo que se 

configuraram como <I>benchmarking</I> corporativo em n&iacute;vel mundial.</P>

<P>Prospectadora, a empresa A apresentava um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o prop&iacute;cio para 

respostas din&acirc;micas e r&aacute;pidas e para uma a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica proativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s 

demandas e oportunidade do ambiente de neg&oacute;cios. Segundo o gerente ''a empresa 

oferece as condi&ccedil;&otilde;es para a obten&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o elevado de desempenho de suas 

unidades de neg&oacute;cio'', mas naquela unidade ''os resultados n&atilde;o apareciam'' 

(Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, mar&ccedil;o de 2011). De acordo com seu depoimento:</P>

<P>''...A decis&atilde;o tinha sido desativar o neg&oacute;cio e,. ao ser designada para 

cumprir este objetivo, percebi que, com o mesmo pessoal, era poss&iacute;vel reverter a 

situa&ccedil;&atilde;o e mobilizar o pessoal para obter resultados de excel&ecirc;ncia e muito acima 

do esperado'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, mar&ccedil;o de 2011) (sic).</P>

<P>Estes resultados, segundo ela, levaram a matriz a se reposicionar em rela&ccedil;&atilde;o 

&agrave; import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do neg&oacute;cio.</P>

<P>Outros aspectos importantes relatados referiram-se comunidade de pr&aacute;tica, &agrave; 

cultura e clima organizacionais, fronteiras organizacionais, estrat&eacute;gias, 

sistema de recompensas, disponibiliza&ccedil;&atilde;o e facilita&ccedil;&atilde;o do acesso a recursos e 

tecnologia, compet&ecirc;ncias e sistema de gest&atilde;o, que, reunidos, foram denominados 

sistema organizacional.</P>

<P>Sistema Organizacional: este sistema &eacute; importante, pois &eacute; ele que, composto 

por cren&ccedil;as, pol&iacute;ticas, normas e pr&aacute;ticas de neg&oacute;cios e de gest&atilde;o, torna 

poss&iacute;vel manter a unidade da empresa. De acordo com os relatos da entrevistada 

da empresa B, ''o risco &eacute; que estas pol&iacute;ticas, normas e pr&aacute;ticas se tornem 

camisas de for&ccedil;a ou limites r&iacute;gidos para as pessoas que ter&atilde;o seu desempenho 

avaliado pela conformidade com o esperado pela empresa.'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 

fevereiro de 2011).</P>

<P>Um sistema organizacional r&iacute;gido poder&aacute; agir como restritor do cr&eacute;dito e da 

confian&ccedil;a que a empresa deve depositar nos seus colaboradores e, por causa 

disto, nem a alta dire&ccedil;&atilde;o, mesmo desejosa de inova&ccedil;&atilde;o, ir&aacute; obter que as pessoas 

se tornem inovadoras, experimentem e corram riscos dentro das empresas. Por 

isto, &eacute; imperativo que propicie oportunidade para as pessoas se desenvolverem e 

se capacitarem para agir por conta pr&oacute;pria, ou seja, para terem a liberdade para 

fazer o seu trabalho &agrave; sua maneira. Isto significa tornar as pessoas ''donas ou 

gerentes de seus processos'', pois somente quando se tornam donas de seus 

processos &eacute; que se tornam criativas e inovadores. 'N&atilde;o mexa no que n&atilde;o &eacute; seu&iquest;' &eacute; 

um mandato que se ensina &agrave;s crian&ccedil;as.</P>

<P>Outra considera&ccedil;&atilde;o feita a partir dos dados coletados &eacute; que, para estimular, 

fomentar e facilitar a inova&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso que a empresa seja percebida como uma 

cultura que estabelece elevados objetivos e expectativas para o desempenho das 

pessoas e lhes forne&ccedil;a recursos e condi&ccedil;&otilde;es para que elas desenvolvam o seu 

trabalho e obtenham resultados esperados e experimentem novas maneiras para 

realizar os seus trabalhos. Como o futuro &eacute; incerto e traz surpresas, &eacute; 

importante que a empresa, ao crescer, n&atilde;o permita que o seu sucesso, tamanho e 

sua complexidade, passem a sufocar as novas id&eacute;ias das pessoas, pois estas 

poder&atilde;o ser fundamentais para o seu sucesso futuro.</P>

<P>Outro aspecto depreendido referiu-se &agrave; gera&ccedil;&atilde;o do desafio para inovar. De 

acordo com os entrevistados, o desafio &eacute; um dos primeiros passos para se obter 

que as pessoas inovem. Elas precisam ser desafiadas a romperem com os ''velhos 

caminhos'' e a experimentarem caminhos desconhecidos; precisam ser estimuladas 

para assumir os riscos da inova&ccedil;&atilde;o e experimentar com o objetivo de encontrar 

novas maneiras para satisfazer as necessidades dos clientes. Para isto, a 

empresa pode desenvolver programas espec&iacute;ficos que desafiem e estimulem as 

pessoas a se engajarem em projetos de melhoria e inova&ccedil;&atilde;o, como o <I>programa 

desafio</I> referido por um dos entrevistados como sendo um programa corporativo 

cujo objetivo &eacute; estimular as pessoas a responderem ao desafio de eliminar um ou 

encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o inovadora para um problema existente ou implantar um 

processo que produzisse resultados muito acima do usual e esperado.</P>

<P><I>4.3. Ger&ecirc;ncia</I></P>

<P>A ocorr&ecirc;ncia de atividades de inova&ccedil;&atilde;o requer uma atua&ccedil;&atilde;o assertiva pelo 

gerente que, por meio da aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, sistemas e processos, de seus 

comportamentos e pr&aacute;ticas, estimule, busque e fomente explicitamente as 

experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a produtos e servi&ccedil;os, estrutura, processos 

operacionais, gerenciais e organizacionais, mercados e neg&oacute;cios; a aus&ecirc;ncia 

desta atua&ccedil;&atilde;o pode desestimular e mesmo impedir que a inova&ccedil;&atilde;o tenha lugar. Um 

dado interessante foi uma baixa refer&ecirc;ncia espont&acirc;nea sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos 

gerentes, especialmente nas empresas que puderam ser enquadradas como 

prospectadoras (A, E e F), o que pode ser atribu&iacute;do &agrave; constata&ccedil;&atilde;o de o 

funcion&aacute;rio entrevistado possuir modelo mental empreendedor e encontrar um 

ambiente organizacional prop&iacute;cio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do projeto.</P>

<P>Mas, perguntado sobre o seu papel como gerente no desenvolvimento do projeto, 

o entrevistado da empresa C, por exemplo, relatou que a decis&atilde;o de implanta&ccedil;&atilde;o 

do projeto se deu sob o aval de seu gerente imediato, que estava cumprindo seu 

papel na implanta&ccedil;&atilde;o do projeto corporativo cujo objetivo era desafiar todos a 

desenvolverem projetos ousados de melhoria e inova&ccedil;&atilde;o. Revelou que a id&eacute;ia 

inicial para do projeto que resultou na acentuada redu&ccedil;&atilde;o das perdas do processo 

n&atilde;o foi dele, mas na reuni&atilde;o onde o projeto foi discutido, ele, apesar de seus 

receios e d&uacute;vidas, sentiu-se 'obrigado' a aprovar o projeto. A partir de ent&atilde;o, 

sua fun&ccedil;&atilde;o foi apoiar as pessoas, facilitar o acesso a informa&ccedil;&otilde;es e recursos e 

propiciar disponibilidade de tempo durante o expediente de trabalho para que os 

membros da equipe pudessem se reunir e debater sobre as a&ccedil;&otilde;es a serem 

tomadas.</P>

<P>''Quando come&ccedil;aram a trabalhar no projeto e os resultados come&ccedil;aram a 

aparecer, a motiva&ccedil;&atilde;o se tornou muito elevada e todos passaram a desempenhar com 

um n&iacute;vel de autonomia tal que eu j&aacute; n&atilde;o conhecia em detalhes o que eles estavam 

fazendo e, confesso, tinha receio de que meu gerente me perguntasse detalhes do 

que eles estavam fazendo. Eu me sentia inseguro, mas mesmo assim preferi n&atilde;o 

interferir e mantive o n&iacute;vel de autonomia deles'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, outubro 

de 2010).</P>

<P>No caso da empresa D, o papel do gerente foi o de dar aval ao projeto de 

implanta&ccedil;&atilde;o de um novo modelo de opera&ccedil;&atilde;o para a nova linha de montagem e criar 

uma via de acesso &agrave; dire&ccedil;&atilde;o da empresa para a apresenta&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o do 

projeto. Segundo o entrevistado,</P>

<P>''Meu gerente abriu caminho e facilitou a discuss&atilde;o do projeto com a diretoria 

e participou das reuni&otilde;es. Sua fun&ccedil;&atilde;o era dar apoio e retaguarda. Quando houve 

problema com a aprova&ccedil;&atilde;o de um novo processo de fabrica&ccedil;&atilde;o, transferindo, a 

responsabilidade da qualidade do processo do preparador de m&aacute;quina para o 

operador, ele usou sua posi&ccedil;&atilde;o e firmeza para impor a aprova&ccedil;&atilde;o do novo processo 

ao gerente da produ&ccedil;&atilde;o que relutava em adot&aacute;-lo, dando apoio integral ao novo 

processo mesmo sabendo do risco'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, outubro de 2010).</P>

<P>Os relatos sobre o papel de seu gerente na inova&ccedil;&atilde;o indicaram como maior 

contribui&ccedil;&atilde;o a liberdade dada para o desenvolvimento do projeto e o n&atilde;o aumento 

das atribui&ccedil;&otilde;es de cada um durante o seu desenvolvimento, ajudando no 

engajamento e aplica&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias pelos envolvidos. A seguir apresenta-se 

uma s&iacute;ntese de suas considera&ccedil;&otilde;es:</P>

<P><I>a)</I> Comportamento Gerencial: este fator mereceu aten&ccedil;&atilde;o especial nos 

relatos. &Agrave; medida que cresce, a empresa, a partir de suas pr&aacute;ticas de sucesso, 

ela vai criando sua filosofia e suas pr&aacute;ticas gerenciais. Se estas pr&aacute;ticas se 

voltam para evitar os erros, sua filosofia gerencial tender&aacute; a privilegiar a 

efici&ecirc;ncia e a negligenciar a efic&aacute;cia. Ao relatarem experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o 

bem sucedidas e exporem as aprendizagens obtidas com elas, revelaram que s&oacute; a 

efici&ecirc;ncia n&atilde;o basta. Nesses tempos de mudan&ccedil;as r&aacute;pidas e surpresas, privilegiar 

as iniciativas voltadas para a efic&aacute;cia e para a inova&ccedil;&atilde;o se torna mandat&oacute;rio 

para as empresas.</P>

<P>Segundo os entrevistados, se a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fizer isto, rapidamente ela se 

defrontar&aacute; com grandes dificuldades. Mas, n&atilde;o h&aacute; f&oacute;rmulas m&aacute;gicas para isto. A 

empresa precisa debater continuamente sobre qual a maneira mais apropriada para 

estimular as pessoas a buscarem a efic&aacute;cia e experimentarem a inova&ccedil;&atilde;o. Nessa 

dire&ccedil;&atilde;o, dois entrevistados revelaram que suas empresas t&ecirc;m a inova&ccedil;&atilde;o como 

objetivo estrat&eacute;gico e, por isso, estabelece que boa parte de suas receitas e 

resultados devem ser oriundos de produtos desenvolvidos h&aacute; menos do que cinco 

anos. Os dados coletados indicam a posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica dos gerentes neste 

processo: s&atilde;o eles que, em desempenhando seu papel, atuam como facilitadores ou 

dificultadores da inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P><I>b)</I> Estimular e Buscar a Inova&ccedil;&atilde;o<I>: </I>estas s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es gerenciais 

recorrentes nos relatos de experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o e experimenta&ccedil;&atilde;o de sucesso. 

Os dados indicam que os gerentes, cujas equipes obtiveram sucesso na implanta&ccedil;&atilde;o 

de inova&ccedil;&atilde;o, demonstraram forte disposi&ccedil;&atilde;o para fazer as coisas de uma maneira 

diferente da usual, buscando alternativas para obter os resultados desejados, o 

que requereu, segundo os depoimentos, coragem para apoiar e incentivar a 

experimenta&ccedil;&atilde;o de novas maneiras para se fazer as coisas, muitas vezes correndo 

riscos de incorrer em problemas. Esta coragem n&atilde;o pode ser entendida como ''a 

aus&ecirc;ncia de medo, mas seguir em frente apesar do medo'' (May, 1991, p. 10).</P>

<P>Isto requereu desenvolver as pessoas para que pudessem identificar 

oportunidades para mudar, repensar as maneiras usuais e buscar novas maneiras de 

fazer as coisas, para que aprendessem a diagnosticar oportunidades para mudar, 

crescer e inovar, e capacit&aacute;-las a olharem para os problemas de forma diferente 

e resolv&ecirc;-los de modo inovador e para desafiarem os m&eacute;todos tradicionais de 

realizar o trabalho. Este tipo de atua&ccedil;&atilde;o requereu deles criar oportunidades e 

encorajar os esfor&ccedil;os das pessoas para se sentirem confort&aacute;veis em correr 

riscos, encorajando pensamentos, id&eacute;ias e experimenta&ccedil;&otilde;es inovadoras. Al&eacute;m 

disso, real&ccedil;aram a necessidade de apoio e retaguarda que, segundo eles, &eacute; 

fundamental especialmente quando as pessoas experimentam solu&ccedil;&otilde;es inovadoras e 

n&atilde;o s&atilde;o bem sucedidas. Quando este for o caso, segundo os relatos, os gerentes 

devem chamar para si as responsabilidades pelo ocorrido, protegendo os 

inovadores de press&otilde;es desnecess&aacute;rias.</P>

<P>Desafiar as pessoas para inovarem tamb&eacute;m foi uma fun&ccedil;&atilde;o recorrente: gerar 

desafio &eacute; uma atribui&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e do gerente que, em sua &aacute;rea de a&ccedil;&atilde;o, 

deve atuar na solicita&ccedil;&atilde;o de novas id&eacute;ias, novos produtos e novas maneiras para 

fazer as coisas na organiza&ccedil;&atilde;o e nas rela&ccedil;&otilde;es com os fornecedores, clientes e 

com o seu mercado, e desafiar as pessoas para que elas tenham a iniciativa de 

romper com <I>velhos caminhos</I> e estimul&aacute;-las para que assumam os riscos de 

experimentar e inovar para descobrir novas alternativas para satisfazer as 

necessidades dos clientes. Se o gerente possuir credibilidade, &eacute; prov&aacute;vel que as 

pessoas respondam &agrave; solicita&ccedil;&atilde;o e se engajem em para responder ao desafio.</P>

<P>Mas, segundo os relatos, a&iacute; h&aacute; um risco e um desafio: se for apenas um 

'discurso bonito' e suas a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o forem consistentes com ele, as pessoas logo 

perceber&atilde;o e n&atilde;o perder&atilde;o seu tempo. De acordo com os entrevistados, as pessoas 

n&atilde;o s&atilde;o ing&ecirc;nuas e cr&eacute;dulas e elas, provavelmente, j&aacute; ouviram falar em inova&ccedil;&atilde;o 

na organiza&ccedil;&atilde;o e j&aacute; sabem o que acontecer&aacute; com as suas boas id&eacute;ias e com os 

inovadores que n&atilde;o tiverem sucesso. Outro aspecto enfatizado na gera&ccedil;&atilde;o do 

desafio foi a sintonia entre o gerente e o sistema organizacional, condi&ccedil;&atilde;o 

<I>sine qua nom,</I> pois, se as pessoas n&atilde;o sentirem o apoio da empresa, n&atilde;o 

acreditar&atilde;o que a ger&ecirc;ncia realmente busca e valoriza id&eacute;ias novas ou inovadoras 

e que est&aacute; disposta a conviver com os riscos do insucesso, eles n&atilde;o se 

arriscar&atilde;o.</P>

<P><I>c)</I> Delega&ccedil;&atilde;o de Autoridade: nenhum desafio &eacute; leg&iacute;timo se a pessoa n&atilde;o 

possuir a autoridade para agir e colocar recursos em a&ccedil;&atilde;o e lev&aacute;-lo a cabo. Sem 

a autoridade ningu&eacute;m pode ser cobrado. As normas e procedimentos que privilegiam 

a conformidade tendem a criar limites para as pessoas que perdem a possibilidade 

de experimentar suas id&eacute;ias e inova&ccedil;&otilde;es. Se nada for feito, as novas id&eacute;ias 

podem ser retidas em qualquer ponto da estrutura hier&aacute;rquica, o que demonstrar&aacute; 

que o discurso de inova&ccedil;&atilde;o, criatividade e desafio &eacute; apenas que o discurso da 

empresa n&atilde;o &eacute; para valer e que, na verdade pr&aacute;tica, a ger&ecirc;ncia quer mesmo &eacute; que 

as coisas continuem como s&atilde;o ou <I>the some old way</I>. Mas, se &eacute; suposto que 

as pessoas contribuam com inova&ccedil;&otilde;es e criatividade, a empresa deve criar 

oportunidades para que elas possam ter id&eacute;ias e, em tendo-as, tenham a 

autoridade para implant&aacute;-las. Isto evidentemente implica em correr riscos e os 

riscos est&atilde;o na ess&ecirc;ncia dos neg&oacute;cios.</P>

<P>Segundo os relatos, para se conseguir que a ger&ecirc;ncia delegue autoridade, al&eacute;m 

das normas e regulamentos, &eacute; preciso gerenciar o comportamento dos gerentes e 

medir todos os resultados de um gerente e n&atilde;o somente os financeiros. Bons 

resultados financeiros t&ecirc;m que ser produzidos por bons processos, acompanhados 

de novos produtos, da inova&ccedil;&atilde;o em produtos e processos, novas maneiras para 

atender melhor aos clientes e de melhores maneiras de gerenciar as pessoas e o 

time. Caso n&atilde;o se obtenha os resultados esperados, o que se deve fazer &eacute; ajudar 

as pessoas a se questionarem e entenderem o porqu&ecirc; n&atilde;o foram obtidos e o que se 

pode aprender com a experi&ecirc;ncia, sem constrangimento e propiciar oportunidades 

para novo desafio e para empreenderem novamente.</P>

<P><I>d)</I> Disponibilizar recursos e facilidades: se o desafio &eacute; o come&ccedil;o e a 

autoridade &eacute; a base do processo, para inovar as pessoas necessitar&atilde;o de tempo e 

recursos. Como os recursos nem sempre estar&atilde;o dispon&iacute;veis, as pessoas devem ter 

assegurados os meios para acess&aacute;-los. Os relatos indicaram que um dos recursos 

que eles tiveram dispon&iacute;vel foi o tempo para se dedicarem ao projeto, pois o 

tempo disponibilizado possibilita &agrave;s pessoas trabalharem em temas de seu pr&oacute;prio 

interesse que, muitas vezes, podem n&atilde;o estar diretamente ligados &agrave;s suas 

atribui&ccedil;&otilde;es. Ao fazer isto, a empresa cria oportunidades para que as pessoas 

dediquem tempo para desenvolver seus projetos de inova&ccedil;&atilde;o de acordo com seu 

pr&oacute;prio interesse e motiva&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>Um aspecto interessante que foi relatado refere-se ao controle destes 

recursos, pois um controle excessivamente r&iacute;gido pode inibir a criatividade e a 

inova&ccedil;&atilde;o. Nem sempre as pessoas requisitam os recursos de que necessitam. 

Conforme foi relatado, muitas vezes, foi necess&aacute;rio emprestar, pegar ou mesmo 

<I>surrupiar</I> (sic) o que precisavam sem que isto aparecesse nos controles 

internos. Admitir isto e, em certas circunst&acirc;ncias, estimular informalmente a 

sua ocorr&ecirc;ncia, pode facilitar o processo de experimenta&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias e 

processos inovadores. Mas, &eacute; preciso que, de alguma forma, estes recursos 

<I>surrupiados</I> tenham seus custos apontados nos relat&oacute;rios.</P>

<P><I>e)</I> Sistema de Desempenho e Recompensas:<I> n</I>a opini&atilde;o dos 

entrevistados sobre o papel dos gerentes, tudo isso ajuda e impulsiona, mas n&atilde;o 

&eacute; suficiente para criar um ambiente favor&aacute;vel para que as pessoas se mantenham 

seu &iacute;mpeto natural por muito tempo. Al&eacute;m disso, ser&aacute; necess&aacute;rio um sistema de 

desempenho e de recompensas pertinentes. O sistema de desempenho deve requerer 

que os gerentes definam e assegurem o cumprimento de metas acordadas e, dentre 

estas metas, deve estimular, fomentar e avaliar as iniciativas de mudan&ccedil;a e 

inova&ccedil;&atilde;o. Se o sistema de desempenho n&atilde;o contemplar a inova&ccedil;&atilde;o como meta, inovar 

poder&aacute; significar correr riscos desnecess&aacute;rios de n&atilde;o obter os resultados e de 

fracassar, pois neste caso, a avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho poder&aacute; ser prejudicada, 

com impacto desfavor&aacute;vel nos b&ocirc;nus e outras formas de recompensa e carreira. 

Para ser adequado e assegurar a ocorr&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es de inova&ccedil;&atilde;o, os dados 

coletados indicam que este sistema deve contemplar a avalia&ccedil;&atilde;o dos 

comportamentos e resultados da ger&ecirc;ncia e da equipe em entregar produtos ou 

servi&ccedil;os saud&aacute;veis e rent&aacute;veis e manter sua compet&ecirc;ncia para melhor&aacute;-los ou 

oferecer novos produtos ou servi&ccedil;os aos seus clientes.</P>

<P>Deve, tamb&eacute;m, identificar e valorizar os inovadores - as pessoas que 

demonstrem o desejo e a disposi&ccedil;&atilde;o para experimentar com o objetivo de descobrir 

novas maneiras para fazer as coisas, explorar o desconhecido e buscar solu&ccedil;&otilde;es 

inovadoras para problemas ou obter melhorias - e avaliar a compet&ecirc;ncia dos 

gerentes para estimular novas id&eacute;ias e reconhec&ecirc;-las, oferecer apoio e suporte e 

a disposi&ccedil;&atilde;o para desafiar o sistema com o objetivo de conseguir a implanta&ccedil;&atilde;o 

de novos processos, produtos ou servi&ccedil;os. Por outro lado, o sistema de 

recompensas deve ser adequado e refor&ccedil;ar metas de inova&ccedil;&atilde;o e melhoria que, al&eacute;m 

de recompensar o desempenho desejado, recompense tamb&eacute;m as iniciativas para 

mudar e inovar, mesmo quando elas n&atilde;o produzem os resultados esperados.</P>

<P>Contudo, criar um sistema de recompensas para a inova&ccedil;&atilde;o exige cuidados. 

Conhecer os inovadores e o que &eacute; significativo para eles &eacute;, sem d&uacute;vida, a porta 

de entrada para um sistema de recompensas efetivo que deve contemplar tamb&eacute;m 

oportunidades inovadoras para recompensar as iniciativas, como ''patroc&iacute;nio da 

empresa para um projeto de aventura em reconhecimento pelo salto obtido na 

produtividade pelo seu trabalho de inova&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o'' (Empresa D -Comunica&ccedil;&atilde;o 

pessoal, outubro de 2010). Em casos de insucesso, &eacute; preciso que a empresa, no 

m&iacute;nimo, reconhe&ccedil;a o esfor&ccedil;o, a coragem e o empenho, crie novo desafio, aposte e 

ap&oacute;ie de novo o inovador.</P>

<P>Um aspecto interessante dos relatos dos casos de sucesso &eacute; a baixa freq&uuml;&ecirc;ncia 

de refer&ecirc;ncia dos entrevistados &agrave;s recompensas recebidas pelos resultados 

obtidos no desenvolvimento dos projetos. Isto pode ser indicador (e deve ser 

mais bem investigado) de que as pessoas inovadoras, de modo geral, podem 

atribuir pequeno valor &agrave;s recompensas, valorizando mais a realiza&ccedil;&atilde;o do projeto 

em si para ver as ideias implantadas.</P>

<P><I>f)</I> Acesso a Informa&ccedil;&otilde;es e ao Desenvolvimento Pessoal: um aspecto 

recorrente foi a necessidade de se criar mecanismos para apoiar e investir no 

desenvolvimento pessoal, disponibilizar dados e abrir caminhos para as fontes de 

informa&ccedil;&atilde;o, fundamentais para que a empresa consiga manter vivo e ativo o 

esp&iacute;rito de inova&ccedil;&atilde;o. É preciso auxiliar os inovadores - e potencialmente todos 

o s&atilde;o - a se manterem 'antenados' ao desenvolvimento global e dar-lhes tempo 

produtivo para que fa&ccedil;am isto. Sem o aceso a informa&ccedil;&otilde;es e sem a oportunidade 

para o desenvolvimento profissional, as pessoas, mesmo muitas vezes assim o 

desejando, n&atilde;o ser&atilde;o bem sucedidas em levar adiante as suas ideias para 

inova&ccedil;&atilde;o.De acordo com o entrevistado da empresa D ''Deixar de investir no 

desenvolvimento das pessoas &eacute; o mesmo que segurar os ponteiros do rel&oacute;gio para 

tentar ganhar tempo'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, outubro de 2010).</P>

<P><I>4.4. Complementadores</I></P>

<P>Os complementadores compreendem tanto as pessoas da organiza&ccedil;&atilde;o que, ora se 

engajando, como no caso dos componentes da equipe, ora oferecendo apoio t&eacute;cnico, 

organizacional, psicossocial e, muitas vezes, fornecendo incentivo e orienta&ccedil;&atilde;o, 

como gerentes de &aacute;reas da organiza&ccedil;&atilde;o consideradas clientes ou fornecedoras da 

&aacute;rea ou unidade de neg&oacute;cios onde o processo est&aacute; em curso, como pessoas e 

entidades externas como clientes, fornecedores, agencias de fomento e pesquisa, 

institui&ccedil;&otilde;es de ensino, etc.</P>

<P>Muitas vezes, estas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fundamentais para o sucesso do projeto. Isto 

fica evidente no depoimento do entrevistado da empresa A que fez refer&ecirc;ncia ao 

relacionamento com clientes para a identifica&ccedil;&atilde;o de oportunidades. Segundo seu 

relato, ao se referir &agrave; necessidade de um relacionamento de intimidade com os 

clientes, disse que ''ouvir e compreender as 'dores' dos clientes &eacute; uma 

importante fonte de sinalizadores e dicas para a inova&ccedil;&atilde;o'' (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, 

mar&ccedil;o de 2011) (sic). Outras vezes, o apoio vem de ag&ecirc;ncias de fomento e de 

institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, como incubadoras e p&oacute;los de empreendedorismo, que 

fornecem recursos financeiros e de marcado, podem fornecer bases para pesquisa, 

desenvolvimento e testes e consultoria.</P>

<P><I>4.5. O Inovador</I></P>

<P>O uso da metodologia denominada <I>The Art of Speed Reading People</I> 

(Tieger e Tieger, 1998) possibilita obter dados sobre o modelo mental durante a 

entrevista. Os dados colhidos por meio desta metodologia possibilitaram uma 

classifica&ccedil;&atilde;o com razo&aacute;vel confiabilidade do modelo mental dos entrevistados, o 

que pode ser considerado adequado para este estudo dado o seu car&aacute;ter 

qualitativo e introdut&oacute;rio. A classifica&ccedil;&atilde;o mostrou que quatro dos entrevistados 

apresentam prefer&ecirc;ncia pelo modelo mental estrat&eacute;gico e dois deles pelo modelo 

mental operacional.</P>

<P>Durante a entrevista cada modelo mental se manifestou pela maneira como 

descreveu a experi&ecirc;ncia bem sucedida. Os entrevistados com prefer&ecirc;ncia pelo 

modelo mental operacional (MMO) apresentaram relatos mais concisos, com 

descri&ccedil;&otilde;es baseadas em dados e fatos objetivos, descrevendo-os sequencialmente e 

em uma ordem quase que cronol&oacute;gica, fornecendo detalhes de cada uma das a&ccedil;&otilde;es 

tomadas na implanta&ccedil;&atilde;o do processo de inova&ccedil;&atilde;o. Suas senten&ccedil;as eram curtas e 

tendiam a expressar um pensamento de cada vez. Mais apegado &agrave;s normas e 

pol&iacute;ticas da empresa e a melhorias graduais dos processos e menos afeito a 

mudan&ccedil;as radicais e aos riscos inerentes a elas, o gerente da empresa C, por 

exemplo, relatou que a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto deu mais por press&atilde;o do grupo do que 

por sua pr&oacute;pria convic&ccedil;&atilde;o. Como representante do modelo metal operacional que &eacute; 

mais afeito ao controle operacional, este gerente relatou sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a 

falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre o que as pessoas estavam fazendo para obter os 

resultados e seu receio em mostrar sua falta de controle, pois eles estavam 

trabalhando com elevado n&iacute;vel de autonomia. Segundo seu depoimento, mesmo se 

sentindo inseguro com a falta de controle, ele preferiu n&atilde;o interferir e manter 

o n&iacute;vel de autonomia.</P>

<P>De acordo com o relato do gerente da empresa A, a situa&ccedil;&atilde;o foi parecida. Ao 

chegar &agrave; &aacute;rea e entrevistar os funcion&aacute;rios se deu conta que as pessoas estavam 

insatisfeitas com o modo de opera&ccedil;&atilde;o e com os resultados da &aacute;rea, sentindo mesmo 

certa dose de press&atilde;o para mudar a forma de gerenciar e implantar mudan&ccedil;as 

radicais que geraram os resultados relatados. Estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o 

indicativas de um modelo de percep&ccedil;&atilde;o concreto, o que os leva a colocar foco e 

aten&ccedil;&atilde;o naquilo que pode ser percebido por meio dos sentidos e isso pode 

lev&aacute;-los a negligenciar a percep&ccedil;&atilde;o global de uma situa&ccedil;&atilde;o, tornando mais 

dif&iacute;cil para eles perceberem o sistema organizacional como um todo e a 

demonstrar maior dificuldade para perceber oportunidades para inova&ccedil;&atilde;o. Os 

relatos dos entrevistados, como especialmente no relato de um dos entrevistados 

que disse ter receio ser questionado pelo seu gerente e n&atilde;o ter respostas, s&atilde;o 

indicadores de prefer&ecirc;ncia por uma organiza&ccedil;&atilde;o mais formal e centralizada, mais 

de acordo com o tipo Defensora, que busca mais proteger e ampliar os neg&oacute;cios 

atuais com os clientes atuais.</P>

<P>Por ouro lado, os depoimentos dos outros quatro gerentes entrevistados 

indicaram uma prefer&ecirc;ncia pelo modelo mental estrat&eacute;gico (MME), com relatos mais 

gen&eacute;ricos, menos concisos, entrecortados de considerandos e possibilidades. Como 

n&atilde;o se prendiam aos detalhes em seus relatos, saltavam sucessivamente de uma 

id&eacute;ia para a outra, indo e vindo com o relato na medida em que uma informa&ccedil;&atilde;o se 

ligava com outra anterior ou com uma possibilidade. Suas senten&ccedil;as tenderam a 

ser mais longas e meio desconexas, &agrave;s vezes deixando-as inacabadas, demonstrando 

o objetivo de fornecer uma descri&ccedil;&atilde;o mais global da empresa e do projeto. Ao 

falarem sobre o papel dos gerentes, tenderam a dar explica&ccedil;&otilde;es mais do que 

relatar fatos sobre a responsabilidade e a a&ccedil;&atilde;o dos gerentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; 

inova&ccedil;&atilde;o. Seus depoimentos demonstravam desejo e disposi&ccedil;&atilde;o para experimentar 

com o objetivo de descobrir novas maneiras para fazer as coisas, explorar o 

desconhecido e buscar solu&ccedil;&otilde;es inovadoras para problemas da organiza&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>Estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o indicativas de um modelo de percep&ccedil;&atilde;o global 

caracter&iacute;stico, o que os leva a colocar foco e aten&ccedil;&atilde;o muito mais nas 

possibilidades do que na realidade corrente, levando-os a uma maior 

predisposi&ccedil;&atilde;o para perceber oportunidades que n&atilde;o s&atilde;o facilmente percebidas 

pelos que preferem o modelo operacional e, por se preocuparem pouco com os 

detalhes e possu&iacute;rem a capacidade para encontrar facilidade e gostar de resolver 

problemas novos, o que aponta para a constata&ccedil;&atilde;o de que estes gerentes 

demonstram uma maior disposi&ccedil;&atilde;o para inovar e propor solu&ccedil;&otilde;es disruptivas para 

problemas organizacionais e uma disposi&ccedil;&atilde;o maior para correr os riscos que a 

inova&ccedil;&atilde;o pode trazer. Tudo isso &eacute; indicativo de que estes gerentes preferem 

trabalhar em empresas que se caracterizem pela ado&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia 

prospectadora como mais adequada ao seu modelo mental. Em outras palavras, eles 

s&atilde;o os verdadeiros inovadores.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>5. Discuss&atilde;o</B></font></P>

<P>A busca por inova&ccedil;&atilde;o faz com que as empresas continuem lutando com o desafio 

de inovar neste cen&aacute;rio competitivo uma vez que as melhorias incrementais j&aacute; 

atingiram os limites para impulsionar seus neg&oacute;cios e j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o mais 

suficientes para sustentar vantagem competitiva. Nesta situa&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o, como 

conceito amplo, pode referir-se a diversos aspectos do neg&oacute;cio e da organiza&ccedil;&atilde;o, 

mas o aspecto essencial &eacute; a gera&ccedil;&atilde;o ou agrega&ccedil;&atilde;o de valor para o neg&oacute;cio e para 

os clientes. O processo de inova&ccedil;&atilde;o &eacute; complexo, multifacetado e composto por 

m&uacute;ltiplos fatores. De acordo com os dados obtidos, estes fatores atuam de forma 

conjugada sendo que, em cada situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, eles assumem papel e 

import&acirc;ncia diversos e devem receber tratamento distinto para se adequar &agrave;s 

necessidade e caracter&iacute;sticas de cada organiza&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>O estudo do ambiente de neg&oacute;cios, normalmente, &eacute; uma atividade ligada ao 

planejamento e administra&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gicos, os quais est&atilde;o diretamente ligados ao 

processo e ao esp&iacute;rito de inova&ccedil;&atilde;o, pois ao responder &agrave;s mudan&ccedil;as e surpresas 

deste ambiente, muitas vezes, ser&aacute; necess&aacute;rio que a empresa se engajar em 

projetos de inova&ccedil;&atilde;o. Como geralmente as informa&ccedil;&otilde;es derivadas da an&aacute;lise do 

ambiente de neg&oacute;cios ficam restritas, o que este estudo indica &eacute; que, em 

disponibilizando estas informa&ccedil;&otilde;es, elas podem servir como sinalizadores de 

oportunidades e ensejar a inspira&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de projetos de 

inova&ccedil;&atilde;o.</P>

<P>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e seu sistema organizacional, o que os dados 

coletados indicam &eacute; que &eacute; necess&aacute;rio criar uma cultura e um clima que fomentem 

as iniciativas das pessoas em empreender projetos de inova&ccedil;&atilde;o. Mas isso 

significa muito mais do que simplesmente ter um discurso de apoio; &eacute; preciso 

definir valores que resultem em pol&iacute;ticas, normas e procedimentos que fomentem e 

suportem as iniciativas de inova&ccedil;&atilde;o e que devem ser evidenciadas, por exemplo, 

em seu sistema de desempenho e recompensas de forma a n&atilde;o gerar conseq&uuml;&ecirc;ncias 

adversas aos que decidirem experimentar e correr riscos e n&atilde;o obtenham os 

resultados de sucesso desejado.</P>

<P>Por outro lado, o que os dados indicam &eacute; que o comportamento gerencial deve 

receber aten&ccedil;&atilde;o especial, pois se &eacute; esperado que as pessoas corram riscos, 

empreendam e inovem, mesmo em uma organiza&ccedil;&atilde;o com valores e sistemas voltados a 

fomentar a inova&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; o comportamento dos gerentes na linha de frente que 

ir&aacute; alavancar ou bloquear estas iniciativas. O comportamento gerencial &eacute; o mais 

importante instrumento de consolida&ccedil;&atilde;o da cultura e dos valores da organiza&ccedil;&atilde;o 

porque, para os empregados, s&atilde;o os gerentes que estabelecem a consist&ecirc;ncia entre 

o discurso da organiza&ccedil;&atilde;o com suas pr&aacute;ticas. Sem essa consist&ecirc;ncia, os esfor&ccedil;os 

para obter que as pessoas inovem ser&atilde;o infrut&iacute;feros.</P>

<P>Outro aspecto que deve ser endere&ccedil;ado refere-se ao relacionamento com os 

complementadores. O papel e a influ&ecirc;ncia dos complementadores internos devem ser 

resultantes tanto a cultura e valores da organiza&ccedil;&atilde;o como do sistema gerencial 

que deve criar e refor&ccedil;ar as iniciativas de colabora&ccedil;&atilde;o, apoio e patroc&iacute;nio para 

os projetos de inova&ccedil;&atilde;o dentro da organiza&ccedil;&atilde;o. Para ter sucesso, um projeto de 

inova&ccedil;&atilde;o deve buscar e contar com o apoio e patroc&iacute;nio de complementadores 

internos. Em rela&ccedil;&atilde;o aos complementadores externos, a organiza&ccedil;&atilde;o deve manter 

relacionamento produtivo com as universidades, ag&ecirc;ncias e institui&ccedil;&otilde;es de 

fomento e de pesquisa, pois elas podem ser fonte de recursos e compet&ecirc;ncias 

complementares que podem ser decisivos para o sucesso de projetos de inova&ccedil;&atilde;o. 

Com rela&ccedil;&atilde;o aos clientes e fornecedores, se torna necess&aacute;rio estabelecer uma 

rela&ccedil;&atilde;o <I>ganha-ganha</I> com eles, pois, <I>a priori</I>, eles s&atilde;o fatores da 

estrutura da ind&uacute;stria e podem agir como restritores dos resultados e 

rentabilidade dos neg&oacute;cios da organiza&ccedil;&atilde;o. Nesse tipo de rela&ccedil;&atilde;o, os clientes se 

tornam parceiros tanto na sinaliza&ccedil;&atilde;o de suas necessidades ou <I>dores</I> como 

indicadores de oportunidade para projetos de inova&ccedil;&atilde;o, quanto na ajuda no 

desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o proposta e, principalmente, na valida&ccedil;&atilde;o 

da inova&ccedil;&atilde;o, pois s&atilde;o eles que, pela sua percep&ccedil;&atilde;o do valor agregado pela 

inova&ccedil;&atilde;o, &eacute; que ir&atilde;o se dispor a remunerar a empresa pelos custos da inova&ccedil;&atilde;o. 

No caso dos fornecedores, sua complementa&ccedil;&atilde;o se d&aacute; por meio do desenvolvimento 

de projetos integrados aos objetivos da organiza&ccedil;&atilde;o sua cliente, quanto sua 

participa&ccedil;&atilde;o e apoio aos projetos de inova&ccedil;&atilde;o da empresa, por exemplo, alterando 

as caracter&iacute;sticas dos produtos e servi&ccedil;os ofertados &agrave; empresa para integr&aacute;-los 

aos projetos de inova&ccedil;&atilde;o do seu cliente.</P>

<P>Considerando-se que o comportamento inovador pode ser definido como o 

comportamento dos empregados no desenvolvimento de novos produtos, novos 

mercados, novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o e novos processos de trabalho, a 

organiza&ccedil;&atilde;o deve dar especial aten&ccedil;&atilde;o aos inovadores. A an&aacute;lise dos dados torna 

evidente a influ&ecirc;ncia do inovador este processo de inova&ccedil;&atilde;o. Os dados das 

respostas &agrave;s perguntas derivadas da metodologia do <I>The Art of Speed Reading 

People</I>, possibilitaram identificar que a maior parte dos entrevistados 

apresentou caracter&iacute;sticas enquadradas no modelo mental estrat&eacute;gico (MME), ou 

seja, apresentou capacidade para coletar grande quantidade de dados e extrair o 

que &eacute; realmente relevante, para perceber oportunidades menos obvias para outros 

e para propor solu&ccedil;&otilde;es disruptivas para problema da organiza&ccedil;&atilde;o, a motiva&ccedil;&atilde;o, 

autoconfian&ccedil;a e disposi&ccedil;&atilde;o para assumir riscos e inovar. Isso denota que a 

empresa, para aumentar a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia de comportamentos e a&ccedil;&otilde;es 

de inova&ccedil;&atilde;o, deve mapear, conhecer, desafiar e criar oportunidades para os 

inovadores, onde quer que estejam abrigados na estrutura organizacional. Deve 

tamb&eacute;m criar programas para ajudar as pessoas com modelo mental operacional a 

desenvolverem o seu modelo mental estrat&eacute;gico que, por n&atilde;o ser acionado, 

permanece primitivo.</P>
<P>&nbsp;</P>
<P><font size="3"><B>6. Conclus&atilde;o</B></font></P>

<P>Concluindo, como resultado deste estudo qualitativo e por isso explorat&oacute;rio e 

limitado, pode-se afirmar que o fator central para o avan&ccedil;o do entendimento e da 

gest&atilde;o do processo de inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; somente a compreens&atilde;o da din&acirc;mica dos 

elementos que comp&otilde;em a equa&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o sugerida para fomentar a inova&ccedil;&atilde;o, 

mas, e principalmente, a atua&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo inovador que &eacute; quem percebe 

oportunidades menos evidentes para outros, mobiliza sua compet&ecirc;ncia, sua 

motiva&ccedil;&atilde;o e sua autoconfian&ccedil;a, sua disposi&ccedil;&atilde;o para assumir riscos com objetivos 

definidos, para empreender e inovar. Desta forma, identificar, selecionar e 

possuir em seu quadro de colaboradores pessoas com estas caracter&iacute;sticas e com o 

modelo mental apropriado -modelo mental estrat&eacute;gico- pode ser de grande valia e 

mesmo decisivo para a empresa competir no mercado global, onde inovar pode ser 

mandat&oacute;rio para a empresa desenvolver e manter vantagem competitiva. Mas, ela 

pode fazer mais.</P>

<P>Considerando que o modelo mental &eacute; uma prefer&ecirc;ncia, deve-se ter em conta que 

cada pessoa desenvolve a prefer&ecirc;ncia por um deles e se sente mais confort&aacute;vel 

com esta prefer&ecirc;ncia do que com o modelo mental oposto. É o mesmo que ocorre com 

a m&atilde;o direita e a m&atilde;o esquerda: as duas m&atilde;os est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, mas as pessoas 

geralmente acionam a mesma m&atilde;o todas as vezes que este movimento &eacute; requerido. E 

por usar mais freq&uuml;entemente a mesma m&atilde;o, ela se torna mais treinada e a pessoa 

desenvolve maior habilidade no seu uso. Isto &eacute; o que ocorre com os modelos 

mentais Os modelos n&atilde;o formam gradiente; eles formam opostos, ou seja, se um &eacute; 

ativado a outro permanece latente. (Ou pega um objeto com a m&atilde;o direita ou com a 

m&atilde;o esquerda.) A fun&ccedil;&atilde;o ativada com maior freq&uuml;&ecirc;ncia se constitui na fun&ccedil;&atilde;o 

dominante. A fun&ccedil;&atilde;o dominante, por ser a mais usada, &eacute; a mais bem desenvolvida, 

sendo que a menos desenvolvida geralmente permanece inativa e em estado arcaico 

no inconsciente, at&eacute; ser ativada. Por isso, a organiza&ccedil;&atilde;o, para obter que mais 

pessoas se envolvam em processos de inova&ccedil;&atilde;o, deve, tamb&eacute;m, desenvolver 

programas que ajudem as pessoas com prefer&ecirc;ncia pelo modelo mental operacional a 

desenvolverem sua profici&ecirc;ncia no uso do modelo mental estrat&eacute;gico, mais 

prop&iacute;cio ao desenvolvimento de iniciativas de inova&ccedil;&atilde;o.</P>



<P>&nbsp;</P>
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